sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Casaco de tripas

Sou o poeta-nojo!
Despojei as entranhas de uma burguesa:
Tirei-lhe as tripas,
Virei-as ao avesso
E cosi um casaco.
Ando pelas ruas, bailes, festas e reuniões
Exibindo meu exuberante casaco de tripas.
Hoje jantei com uma dama,
Depois fomos a um baile de casamento.
A noiva perguntou-me furiosa:
- Por que você veio emporcalhar meu casamento com essas tripas horríveis à mostra?
- Moça - cuidei em explicar-lhe –, trata-se de um burgueson: casaco feito com as tripas da senhora Carolina, mulher muito refinada e de origem abastada. Além disso - acrescentei –, minha missão é revelar ao mundo a profunda interioridade humana, sobretudo a sensibilidade lírica dessas almas burguesas.

Elio Cunha

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