Era como dois pássaros comendo capim ao alvorecer.
A única coisa que nele fazia sentido
Era um cântaro vermelho em que colhia suspiros
noturnos.
Vinha sempre solícita e meiga,
E não havia como não partirmos,
Em cavalos alados e saltitantes,
Para nuvens que, plúmbeas e carregadas,
Explodiam nas patas de Pégaso.
E “o quente arfar das virações marinhas”
Soprava úmido em seu corpo,
Transido de desatino e insensatez.
Ao fim, esmaecido de tanto paraíso,
Eu a via deixar o quarto sem se despedir.
Apenas um sorriso deslizante em seus lábios,
E a certeza de que, contente e satisfeita,
A porta da alcova tornaria a abrir.
Mas seu coração, seu coração continuaria insano e sem juízo
E voaria por aí, por azuis e arco-íris, como pássaros
ao amanhecer.Elio Oliveira Cunha