Por que procuras?
Elio Cunha
A finalidade deste blog é abrigar palavras significativas. Literatura, filosofia, direito e história. Textos que possam, de certa forma, interferir em nossa realidade, criar redes de sentido, instaurar o novo e ser "um grito das coisas amordaçadas", pois, como disse o poeta Ferreira Gullar, "o canto não pode ser uma traição à vida e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não têm voz".
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
As mulheres lindas
As mulheres lindas têm um olhar como que triste,
Pois sonham que o mundo seja igual a elas:
Um sem-número de rosas a todos os cantos,
Eternas canções de primaveras.
As mulheres lindas têm um gesto como que esquecido,
Pois desejam que os amantes sejam como as folhas em outono,
Como as notas de um violão plangente
Que somem no luar evanescente.
As mulheres lindas têm um toque como que findo,
Pois querem que os encontros sejam como o vento que está indo,
Como um halo de estrela cadente,
Como o vermelho odor dos vinhos noturnos.
As mulheres lindas têm um amor como que espinho,
Pois precisam que os enlaces sejam como que picantes,
Como veneno quase que mortal, mas efêmero
Como, ao perfurar o peito, o rútilo do gládio lancinante.
As mulheres lindas têm um suspiro como que de deusas,
Pois sentem que o êxtase é como que pedaço de céus,
Como a entrega de Vênus aos seus recônditos caprichos,
Em seus enleios que não deixam laços.
As mulheres lindas, por serem lindas, têm um adeus como o de quem nunca foi,
Pois sabem que ficam para sempre, mesmo que sejam raios na tempestade.
Como mulheres lindas, por serem lindas,
Despedem-se a cada instante que nos encantam, com doce sabor de maldade.
Elio Cunha
Pois sonham que o mundo seja igual a elas:
Um sem-número de rosas a todos os cantos,
Eternas canções de primaveras.
As mulheres lindas têm um gesto como que esquecido,
Pois desejam que os amantes sejam como as folhas em outono,
Como as notas de um violão plangente
Que somem no luar evanescente.
As mulheres lindas têm um toque como que findo,
Pois querem que os encontros sejam como o vento que está indo,
Como um halo de estrela cadente,
Como o vermelho odor dos vinhos noturnos.
As mulheres lindas têm um amor como que espinho,
Pois precisam que os enlaces sejam como que picantes,
Como veneno quase que mortal, mas efêmero
Como, ao perfurar o peito, o rútilo do gládio lancinante.
As mulheres lindas têm um suspiro como que de deusas,
Pois sentem que o êxtase é como que pedaço de céus,
Como a entrega de Vênus aos seus recônditos caprichos,
Em seus enleios que não deixam laços.
As mulheres lindas, por serem lindas, têm um adeus como o de quem nunca foi,
Pois sabem que ficam para sempre, mesmo que sejam raios na tempestade.
Como mulheres lindas, por serem lindas,
Despedem-se a cada instante que nos encantam, com doce sabor de maldade.
Elio Cunha
Porque eu estava sentado esperando e era sexta-feira à tarde
Um vigor repentino
com estrépito
Como se fosse dia de feira
Mas é domingo
E nem há mar para praia
Nem vento para pepeta
O que fazer?
Sentar-se em um banco de praça
Ler um romance
Um jornal
Um poema velho
Ver as moças que passam
O dia que se vai
Espantar as moscas
Enxugar o suor
O que fazer?
Cuspir no chão?
No prato em que se come?
O que fazer?
Um dia de sol sem nuvens
Um dia muito quente
De pouca intenção para nada
Que não fosse deixar de fazer alguma coisa
Coisa sem sentido
Estabanada não
Parada
Que nem água de lagoa morta cheia de mau cheiro
Um dia como um dia de feira sendo domingo para não fazer nada sem vento
nem praia
O que fazer?
- Não há de quê, senhora, estou aqui lendo e sempre atravesso velhinhas cegas, a rua é braba de carro.
- Que bom que a mocinha pensa assim, era, sim, sim, era um grande poeta; morreu de queda de cavalo.
O que fazer?
Se ao menos houvesse... o quê? O que mesmo?
Falta algo
Como se fosse dia de feira
Mas é domingo
E nem há mar para praia
Nem vento para pepeta
O que fazer?
Sentar-se em um banco de praça
Ler um romance
Um jornal
Um poema velho
Ver as moças que passam
O dia que se vai
Espantar as moscas
Enxugar o suor
O que fazer?
Cuspir no chão?
No prato em que se come?
O que fazer?
Um dia de sol sem nuvens
Um dia muito quente
De pouca intenção para nada
Que não fosse deixar de fazer alguma coisa
Coisa sem sentido
Estabanada não
Parada
Que nem água de lagoa morta cheia de mau cheiro
Um dia como um dia de feira sendo domingo para não fazer nada sem vento
nem praia
O que fazer?
- Não há de quê, senhora, estou aqui lendo e sempre atravesso velhinhas cegas, a rua é braba de carro.
- Que bom que a mocinha pensa assim, era, sim, sim, era um grande poeta; morreu de queda de cavalo.
O que fazer?
Se ao menos houvesse... o quê? O que mesmo?
Falta algo
Falta o que não sei o que é
Mas é domingo de galinha caipira na panela
Família reunida
Povo falando besteiras alto
Gritando gol tomando cachaça cerveja refrigerante
Bastante tambaqui na forma recheado de chicória tomate cebola
E também na grelha
Jatuarana assada pingando de gorda
Farinha d’água
Caldo de pacu
Terra boa de fartura muita
O que fazer?
Domingo com cara de feira
Dia de feira é ruim
Muita canseira
Quem gosta da segunda?
Há até notícia do homem que matou uma
Mas neste domingo não sei o que fazer
O que fazer?
A agitação era grande
Mas é domingo de galinha caipira na panela
Família reunida
Povo falando besteiras alto
Gritando gol tomando cachaça cerveja refrigerante
Bastante tambaqui na forma recheado de chicória tomate cebola
E também na grelha
Jatuarana assada pingando de gorda
Farinha d’água
Caldo de pacu
Terra boa de fartura muita
O que fazer?
Domingo com cara de feira
Dia de feira é ruim
Muita canseira
Quem gosta da segunda?
Há até notícia do homem que matou uma
Mas neste domingo não sei o que fazer
O que fazer?
A agitação era grande
Os operários e camponeses e soldados estavam insatisfeitos
Não foi difícil a aliança
A coisa explodiu e expandiu-se para longe e no tempo
A experiência não deu certo?
Quem disse?
Houve muito sofrimento
Mas tivemos muitas alegrias
Nos comprazemos em ver a desarrumação na cabeça dos que se achavam donos do poder
Modificamos o mundo
Chegamos à Ilha
Estamos na Ilha
Orgulho e raça vermelha
O que fazer?
O que fazer com um domingo que nos leva para onde não sabemos o que é
Vou fechar o livro que não abri
E encerrar o que não foi escrito
Fim
O que fazer?
Elio Cunha
Não foi difícil a aliança
A coisa explodiu e expandiu-se para longe e no tempo
A experiência não deu certo?
Quem disse?
Houve muito sofrimento
Mas tivemos muitas alegrias
Nos comprazemos em ver a desarrumação na cabeça dos que se achavam donos do poder
Modificamos o mundo
Chegamos à Ilha
Estamos na Ilha
Orgulho e raça vermelha
O que fazer?
O que fazer com um domingo que nos leva para onde não sabemos o que é
Vou fechar o livro que não abri
E encerrar o que não foi escrito
Fim
O que fazer?
Elio Cunha
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Ogano
Talvez o vindouro seja melhor
E nem precisarei vestir branco no reveillon
O espumante de maçã estará envelhecendo na adega das recordações
Elio Cunha
E nem precisarei vestir branco no reveillon
O espumante de maçã estará envelhecendo na adega das recordações
Elio Cunha
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
0 + 0 + 0 + 0 = ? (zero), logo...
Há invernos na estação,
Com palavras
Ditas entre palavras sem encontro,
Perambulando estradas contínuas,
Repetidas.
Do nada nasce algo?
Se não, a resposta sempre houve.
E por que perguntamos?
Por que queremos saber o que sempre aí esteve,
Colocado sob as nuvens,
Numa repetição sem fim?
Porque tudo o que fazemos de novo,
Novo não é:
É tão antigo que nem começo teve,
Que nem fim terá.
Elio Cunha
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