sexta-feira, 7 de setembro de 2012

As mulheres lindas

As mulheres lindas têm um olhar como que triste,
Pois sonham que o mundo seja igual a elas:
Um sem-número de rosas a todos os cantos,
Eternas canções de primaveras.

As mulheres lindas têm um gesto como que esquecido,
Pois desejam que os amantes sejam como as folhas em outono,
Como as notas de um violão plangente
Que somem no luar evanescente.

As mulheres lindas têm um toque como que findo,
Pois querem que os encontros sejam como o vento que está indo,
Como um halo de estrela cadente,
Como o vermelho odor dos vinhos noturnos.

As mulheres lindas têm um amor como que espinho,
Pois precisam que os enlaces sejam como que picantes,
Como veneno quase que mortal, mas efêmero
Como, ao perfurar o peito, o rútilo do gládio lancinante.

As mulheres lindas têm um suspiro como que de deusas,
Pois sentem que o êxtase é como que pedaço de céus,
Como a entrega de Vênus aos seus recônditos caprichos,
Em seus enleios que não deixam laços.

As mulheres lindas, por serem lindas, têm um adeus como o de quem nunca foi,
Pois sabem que ficam para sempre, mesmo que sejam raios na tempestade.
Como mulheres lindas, por serem lindas,
Despedem-se a cada instante que nos encantam, com doce sabor de maldade. 

Elio Cunha